| À direita de Hitler |
Causa Operária
A luta contra o golpe de Estado que começou em 2016 trouxe pelo menos um benefício ao movimento que combate a Globo, Temer, Aécio e toda a direita golpista, a diferenciação. Para combater a ameaça iminente do golpe o movimento operário passou por um processo de luta interna, setores do PT que há muito não se movimentavam saíram às ruas, a CUT liderou uma série de mobilizações importantes, nesse processo começou-se a separar o joio do trigo.
O Brasil foi espectador de demonstrações grotescas de oportunismo como Humberto Costa, senador da direita petista, falar que temos que “virar a página do golpe” e ir para as eleições como se nada tivesse acontecido, o povo brasileiro viu o PCdoB trair qualquer tradição de esquerda ou popular ao votar em Rodrigo Maia para proteger cargos e posições ganhas dentro do Estado e parlamento.
Ao contrário do que muitos pensam, essas experiências que o movimento contra o golpe está passando não são negativas, são justamente ao contrário. É na luta, nos momentos de necessidade que o povo descobre que partidos e organizações a representam e quais representam a si mesmas.
Nesse artigo não vamos tratar de um panorama completo da esquerda nacional, algo que temos de tratar em edições subsequentes, mas um fenômeno curioso que se formou, o da esquerda carcerária.
Na luta contra o golpe vimos surgir uma esquerda que não só era a favor do golpe como é a favor das prisões, dos processos sem provas e do aparato judicial golpistas. Isso é claro no caso do PSOL, por exemplo, Luciano Genro chegou a gritar “Todo apoio a Lava-Jato”, o PSOL de conjunto defendeu fervorosamente as 10 medidas contra a corrupção, que limitam o habeas corpus, permitem provas ilegais, testes de integridade, e dificultam a defesa, o PSTU pediu a prisão de Lula, setores parlamentares do PT não denunciam a Lava-Jato até agora, perseguição política em forma de operação policial.
Essa esquerda por defender uma atuação estritamente parlamentar, de convivência com a burguesia se colocou ideologicamente no campo da direita mais fervorosa, no caso do PSOL, as 10 medidas seriam consideradas extremas até no Terceiro Reich.
| Todo apoio ao golpe neonazista! Sieg Heil! |
A política de esquerda lutou e luta contra a pena de morte e contra a justiça punitiva. Os partidos operários sempre foram contra as altas penas e o fortalecimento do Estado burguês, contra dar aos poderosos ferramentas para atacar o povo. Foram os elementos mais progressistas de suas épocas que lutavam para conseguir o habeas corpus, na França ele foi estabelecido pela Revolução Francesa na Declaração dos Direito do Homem e do Cidadão, hoje é a esquerda carcerária que quer amputá-lo.
Defendem essa posição por pressão da imprensa golpista e porque um setor da pequena-burguesia foi tomado por essa posição, setor em que se apoiam. Diretamente ou indiretamente adotaram essa posição porque essa é a posição da direita. Por não terem um programa de defesa dos interesses reais da população, defendem aquilo que é defensável sem entrar em uma polêmica com a chamada opinião pública, que não é nada mais do que a imprensa burguesa.